Sem nenhum aviso prévio.
Foi assim que meu mundinho amargo e previsível tornou-se agradável, como um chá morno de hortelã depois de uma ressaca.
Aconteceu uma limpeza imaginária nas minhas entranhas e de repente fui salva daquela sensação de ânsia tão esquisita que insistia em me visitar.
E através de um (quase) milagre, um simples passeio pela calçada em um dia frio fez as ideias clarearem e tudo ficar aparentemente bem, como em um filme de cenas afinadas e bem escritas.
Eu já tinha passado da hora de fazer as pazes comigo.
Vivo brigando com minha ansiedade, me digladiando com os meus desejos, mas no fim acabo me compreendendo.
Estava exausta das tentativas de me decifrar e nunca achar uma saída.  Se é que havia alguma saída e eu ainda não tinha me dado conta disso. Cansada das minhas neuras incoerentes que só me trouxeram conflitos. Cansada até de sonhar acordada, mesmo achando poético ser como sou. Eu cansei, mas nunca desisti. No fundo, não trocaria minha cabecinha perturbada e ruiva por nenhuma sã.
Sei lá se quero alguém para sempre, ou se prefiro que todo esse romance blasé desapareça. Não consigo me decidir nem sobre a roupa que vou vestir quando acordo, então nem tento me limitar a definições.
E se eu pudesse escolher entre só um livro e uma música, eu ficaria sozinha produzindo mais ideias pra minha vasta coleção.
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