A última vez que chorei de saudade.

Nenhum outro retrocesso mental me traria tranquilidade quando o relógio marcou uma hora da manhã e eu já tinha enviado todas as lamúrias em forma de mensagens para o dono do meu peito.
A agonia em que eu me encontrava me ajudou na busca incessante por coragem naquela noite. Foram aproximadamente 9 choros sendo que 5 deles eu me fiz de feto em cima do travesseiro molhado.
Da última vez que li um jornal, tentaram desvendar o significado da palavra saudade e num tom óbvio de desdém eu virei aquela página. Deveria ter lido e comparado. Aquela dor que senti pensando em nós só podia ser algo em torno de 99% de saudade.  Tive dó de mim.
Ouvi o galo cantar naquele quarto insalubre e me revirei do avesso querendo desaparecer por dois instantes.
Mudei de ideia no momento em que cogitei ganhar um afago do meu bem querer (será que ainda é meu?)

Se ele estivesse por aqui eu bem não queria desaparecer.  Só se fosse com ele. Lá pro nosso pequeno universo.

Retrocesso?

Procurei um lenço e água pra engolir. A dor.

Foi a primeira e última vez que eu chorei de saudade.

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Optar é resistir

A gente percebe que já se acostumou com a própria instabilidade emocional quando o que era tristeza se transforma em alguma inspiração. Arriscado dizer o quanto improvável isso seria, se eu não fizesse questão de provar dos meus instintos. Normalmente não tenho tempo de desistir das coisas pois elas sempre fazem isso por mim e é, estranhamente engraçado como não me incomodo mais com isso. Talvez eu esteja entrando na minha própria era do conformismo. Mas, eu nunca disse que queria permanecer aqui, letárgica. Me acho agora recolhida no anonimato das palavras vagas da minha boca e com uma cabeça cheia de pensamentos, sob o comando de um processador na garganta que não deixa passar quase nada. Pronto, estou oficialmente indefinida.

Alguém me empresta um pára-quedas?

As coisas dizem pouco sobre mim, na verdade eu que costumo dizer muito sobre elas. Julgo ter os olhos cheios de esperança, de uma cor que ninguém mais possui, e é por isso que mantenho os meus rituais. Por um infortúnio ou dois, venho lutando contra bloqueios. São obstáculos que surgem cada vez que tenho um ideal a atingir, e eles resistem e se alimentam dos meus medos. É, definitivamente o meu ponto fraco. E aí, pra disfarçar os receios, de vez em quando eu queimo. Queimo minhas vontades, esqueço as prioridades e inicio um estágio de pura ficção e procrastinação. E ninguém vê.  Conclusão? Vinte anos de idade e ainda não aprendi a me prevenir do mundo, e ninguém nunca leva isso em consideração.

Decidi, contudo, esperar que a vida me levasse até a próxima estação, até alguma rua, fronteira ou uma nova direção. E ganhei inspiração para enfrentar as entraves que me isolavam e desanimavam as minhas veias. Virou perigoso e arriscado tanto quanto jogos de azar. Mas eu aguentei com pulso firme. E me permiti ir, ser, estar, voltar. Deixar que a vida me presenteasse com novos caminhos. Esperei para poder percorre-los e decifra-los. Conto com uma ajuda genética do meu fluxo sanguíneo que não me deixa sucumbir. E fico alerta, fingindo indiferença, o que me provoca uma agitação nas minhas multidões interiores, mas ainda assim é melhor que a inércia.  A vida, só é de verdade, se conflituosa.

A minha pele já sentiu por si mesma o gosto e o desgosto de tentar um pouco mais, de recomeçar e de viver, simplesmente. Não existe manual pois basicamente, ninguém consegue evitar todas as barreiras no meio do caminho. O que se pode é resistir. Eu demorei pra entender que tudo bem se os dias passam e as mudanças não chegam. E tudo bem também se o tempo nem passar. Eu precisei treinar repetidamente a minha consciência e o meu coração, pra eles finalmente entenderem que: tudo bem que a vida siga. Às vezes os sinos precisam tocar. Tudo bem se tudo mudar e a saudade não morrer, afinal.

E que eu não me perca de vista, nem de sentir.

(Resisistir.)

Ausências

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Décimo andar. Até meu suspiro ecoou pela cozinha do apartamento. Parece tão vazia quanto a minha alma perdida em um mundo para o qual me arrastaram. Copos em cima das gavetas e livros que nunca terminei de ler, jogados na estante. Cenário nada propício. Minhas pernas meio exaustas me impulsionavam para um contato direto com a cama, não ousaria resistir a nada que me proporcionasse conforto agora. Na cabeça, além de fios longos e embaraçados, uma dor interna que latejava e, lembranças. O meu dia estava cinza o bastante e então, procurei por algo que nunca achei que iria dar falta: segurança. A segurança pra fazer de mim forte, do ócio uma oportunidade, da ausência um combustível.  Alguma transformação.

Pela primeira vez na vida, eu senti que precisava fazer diferente naquela noite e resolvi não me entregar ao fluxo dos escombros para onde os meus pensamentos me levavam. E caminhei de olhos fechados e passos leves em direção à coragem. Porém, antes senti vontade de vomitar tudo: a saliva, os goles d’água quentes que bebi, as angústias que deixaram a minha garganta seca, a amígdala, os medos e o apartamento de milhões de metros quadrados vazios que virou o meu peito. Tudo de uma vez só. E como se ela fosse um perfume barato, respinguei sem dó a esperança no meu corpo, pra tentar disfarçar a ausência, a falta e a saudade.

A vida é um tanto quanto cretina e engraçada, o fato é que, não é realidade se não tem choro engasgado, dor no peito e vontade de voar ao mesmo tempo. O modo como nos adaptamos a ela nem sempre está ao nosso alcance, mas é preciso busca-lo se quisermos ultrapassar algumas fases. Se adaptar à alegria, à tristeza, à situação. No fim nos adaptamos, mas é genericamente difícil. Não diria que se adaptar à solidão é algo com o que eu terei que lidar o resto dos meus dias, mas pelo modo melancólico como essa palavra soa, nada mais normal do que sentir medo.

Eu nunca consegui aprender a lidar com o mal necessário, com despedidas, e principalmente, com ausências. De alguma forma natural, fui aprendendo que em minha condição o que eu não poderia, era me acomodar a não tentar. E percebi que as emoções que sustento, se parecem um pouco com fantasia. Quando passam, eu volto a viver de superfícies, e a elas me alinho e inevitavelmente, me adapto.

E assim voltei à minha zona de indecisão e suspirei antes de escolher o próximo livro que iria deixar pela metade. Desativei o despertador que me salva de não perder as aulas da universidade e iniciei um novo ciclo para a minha coleção. Observei o que dentro de mim era goteira e num instante de distração eu estava sorrindo ao perceber minhas roupas ao avesso. Me senti como se tivesse que desenformar o mundo, talvez seja eu o excesso de tudo que não se deve ser para manter o que se quer, é sensação que me causa vertigem. Eu não sei quanto tempo isso irá demorar pra passar, mas existem alguns atalhos que pretendo seguir para conseguir.

Entre eles, agora, o capítulo I.

da garganta

das inúmeras maneiras de ser, eu fui ser logo a que eu escolhi. juro que não tive a intenção de usar esse post pra reclamar de mim, mas não se surpreendam caso eu não me aguente. o natural às vezes parece ser tão cheio de setas, de caminhos, de rotas mentais que eu nunca vou conseguir seguir à risca. digo isso porque o que me parece é que não basta algo ou alguém simplesmente existir na minha vida e pronto, pra me satisfazer há que se fazer a diferença, a todo custo. ou eu não quero, ou eu não consigo querer. me desculpem se pareço exigente demais, mas é que no meio de tanta maçã bonita porém podre por dentro, há  um caminho que eu defitinivamente não estou disposta a passar pra descobrir. seria mais fácil se tudo fosse instântaneo, sabe? é pra ser feliz? então que seja agora. é pra viver do jeito que eu escolhi viver? então que dê certo. é pra chorar? então chora logo e acaba com essa angústia entalada na garganta. é bem por aí, são palavras misturadas com toques exarcebados de emoções que fundem com minha vontade de mudar tudo o que não me agrada em dois tempos. O primeiro tempo seria na hora exata de mudar a vida (que seria agora), o segundo tempo, seria quando eu encontrasse alguém que quisesse mudar a vida junto comigo (coming soon…). Difícil né? eu sei, eu sou. mas não precisa forçar a cabeça pra tentar me entender, a começar pelo modo que escrevo esse texto, hoje acordei meio despreocupada do tipo que não faz questão de seguir as regras do português e começar uma frase com letra maiúscula (que os pontos finais me perdoem, mas eu não estou nem aí). tenho visto tanta gente cega, que nem se eu estivesse usando essa palavra no seu sentido literal eu iria sentir o mínimo dó. cega de medo, cega de covardia, cega de preconceito, cegos. chega um ponto no seu habitat natural que sua essência não te permite mais aceitar certos tipos de injustiças, e é indescritível a sensação que nasce e que aflora no peito de tentar transformar tudo aquilo e fazer diferente, fazer melhor. não sei se dá pra me entender, provavelmente nunca fiz sentido, mas é como se, após todos os nossos esforços e dedicações, houvesse algo que simplesmente fizesse tudo aquilo que construímos ir por água abaixo. que tipo de reação seria mais coerente? o que fazer quando o que nos resta parece não mais funcionar? a esperança de recomeçar é o que ainda nos move  e enquanto adiamos, continuamos acreditando que quando enfim fizermos o nosso melhor, tudo dará certo. E essa fantasia de certeza é a maior aliada do fracasso.

Labirinto

Pés descalços na areia e tempo de sobra, é assim que eu queria estar durante horas. Ir de encontro ao mar ou afastar-se dele desviando das ondas, enche-me de gratidão e plenitude por saber que eu respiro. Surpreendentemente ou não, eu não sei o que é estar viva e viver conforme acho que mereço, há quase um mês. Tem muita coisa que eu ainda estou pondo em ordem e contando com a sorte, arrisco no tempo que não anda colaborando comigo. Minha lixeira nunca conteve tantos papéis rasgados e embalagens de comidas prontas, consegui fazer duas canetas falharem e acho relevante contar que, de tanto escrever, fiz um calo no meu dedo e esqueci até do quanto eu tenho pavor a isso. O mais próximo que cheguei da praia foi quando acordei cedo e fui à janela ver o sol dar bom dia, avistei águas azuis e uma imensidão de mundo que sonho em conseguir abraçar um dia. E quanto mais eu rezo, mais obrigações me aparecem. Descobri um mundo que clama por mim, que cobra demais, que me quer se desdobrando, e se pra isso eu terei que me reinventar, que eu siga sem olhar pra trás. Descobri um mundo que também preciso, um mundo novo onde o ócio e a  ”siesta” desapareceram do meu mapa mental. Sempre que eu lembro que o universo existe, alimento uma esperança de que ele me ajude a reciclar cada lágrima que eu derramei, em sorrisos. Das energias trocadas, é isso que espero. Por vezes me pego cansada do que ainda nem começou… Eu, nas minhas quase 20 primaveras, tenho tanta coisa ainda pela frente que me espera, a verdade é que preciso me acostumar a seguir o ritmo. O amadurecer é um exercício diário e não vem do nada, porém requer grandes doses de paciência. E esse poço inesgotável de vontade de experimentar o novo, não me deixa sucumbir. Sei que não preciso me esperar, apenas me acompanhar. Quem disse que preciso ir por um caminho já traçado? A acomodação só vem quando você desiste de ver o mundo como teu. E nesse momento, exatamente agora, não me permito ser menos que eu mesma. Não me permito fazer menos do que eu queira.

Pulso agora, silenciosamente, de vida.

Pequenos despropósitos

Andei sonhando com um pacote de desejos a realizar e com cirurgias reparadoras. Porém, ao contrário do que a maioria pensa, eu queria mesmo era reparar um lado que quase ninguém vê. É aquela parte que mais me incomoda nos incrédulos e não sei de onde e nem porque surgiu essa vontade abstrata de querer mudar. Maldita a hora em que fui dar tanto valor a essa tal de alma. Acho que já passei do ponto de ser otimista demais com os outros. E ainda assim, ando suspirando por aí, imaginando uma vida sem os estragos de uma visão tão poética minha. Agora mesmo, observo-me com sentimentos vanguardistas um tanto quanto sem limites. Vai ver a novidade dentro de mim seja reinventar o antigo. Era só o que me faltava, um despropósito a mais!

Às vezes me sinto como o mar, que não pára nunca e às vezes como uma lagoa, sempre ali, paradinha. Difícil é conseguir achar o meu meio termo. E não adianta eu querer encontrar o dos outros, muito menos transformar água em vinho a qualquer custo, mesmo que não custe. Desisti de me atrever. Encho-me diariamente com palavras vazias e é nessa mediocridade cotidiana que vou (sobre)vivendo em busca de um ponto de equilíbrio. Me falta tanta paciência pra desordem mental alheia, que penso estar enclausurada em um cativeiro que eu mesma criei pra mim, e eu não estou tentando dizer que isso faz algum sentido. Preferia ser de açúcar do que de carne, só assim a chuva realmente poderia resolver os meus problemas.

Seria mais fácil saber qual o sentido que a vida pretende seguir pra facilitar na hora das curvas, das arrancadas súbitas que ela dá, sem dó. E nas vezes que me pego pensativa demais, ou passando do meu limite de inconformação, corro pra debaixo do chuveiro e deixo a água quente tostar minha pele, só para lembrar que ainda existe tato em mim. E que vivo, e que sinto. É o poder da intensidade. Minhas fugas de nada mais adiantam, elas só me cansam e pressupõem medo, e de medo, eu não me alimento. As coisas por natureza já são tão duras pra mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais. Exigir o eterno das emoções me parece justo, pois a vida não cabe só na xícara do meu café.

(E que ela seja o meu único vestígio.)

O silêncio e um conforto

Já se fazia tarde quando vagarosamente eu me levantei. Ainda sob as emoções do dia anterior, abri as cortinas para espiar o dia que nasceu. Estava cinzento, sem vestígios nenhum de sol, ao menos não chovia como ontem e a temperatura pareceu-me agradável para continuar de pijama.

Durante meu ritual matutino planejei as possíveis atividades a serem feitas. Talvez um filme de Woody Allen só pra me fazer pensar, coisa que não é preciso muito esforço. Talvez uma corrida na praia para mudar o hábito sedentário que nunca tive ou evitava ter. Pensei, na verdade, em fazer diversas coisas, mas nada fiz. Só acordei. Voltei ao meu quarto meio que aproveitando o silêncio da casa e coloquei uma música que sempre faz eu me sentir plena – in my life – The Beatles -, peguei então, um caderno velho que embora ainda contivesse folhas em branco, estava quase em desuso e comecei a escrever.

Anotei o que sentia sobre a desconhecida dor que tive, sobre a esperança, as dúvidas e angústias sentidas naquele instante. Sabe-se que algo difícil de falar é sobre sentimentos íntimos. Eu consegui transmitir à caneta que minuciosamente conta ao papel, os meus segredos. Somente eles suportam os escarros e lamúrias sem nada dizer ou julgar, apenas esperam cessar a aflição para então se transformarem em picados.

Perdi a concentração ao escutar o som da sirene de uma ambulância, e decidi lavar o rosto na esperança de sentir um pouco de fé no dia, ou pelo menos ânimo. Porém, o que encontrei mesmo dentro de mim foi um vazio no estômago e sede, muita sede. Voltei à cama e respirei devagar. Lembrei que sempre tive uma certa mania de imperfeição. Imperfeição nas ideias, pessoas, organização de objetos e imperfeição no amor. Sempre entendi que para o amor a perfeição é exata, torna-se perfeito o ser amado, porém, enquanto não se ama de verdade, busca-se só por uma perfeição que dificilmente encontraremos. E aí nos contentamos apenas com o imperfeito. O que me faz sentir completa é basicamente um amor imperfeito ao meu conceito e perfeito à minha vontade de amar.

Neste deleite não percebi o passar das horas e perto das seis da tarde ainda me encontrava de pijama e de pernas pra cima. Eu realmente estava confortável. Fechei bruscamente o caderno rabiscado e decidi sair em busca de café e pessoas. Ainda sinto o gosto do café amargo no céu da minha boca, e quanto às pessoas, o que posso dizer é que sempre me virei muito bem sozinha. Dei bom dia para o espelho e voltei a rabiscar, dessa vez no silêncio.

Além dos meus trilhos

Sem nenhum aviso prévio.
Foi assim que meu mundinho amargo e previsível tornou-se agradável, como um chá morno de hortelã depois de uma ressaca.
Aconteceu uma limpeza imaginária nas minhas entranhas e de repente fui salva daquela sensação de ânsia tão esquisita que insistia em me visitar.
E através de um (quase) milagre, um simples passeio pela calçada em um dia frio fez as ideias clarearem e tudo ficar aparentemente bem, como em um filme de cenas afinadas e bem escritas.
Eu já tinha passado da hora de fazer as pazes comigo.
Vivo brigando com minha ansiedade, me digladiando com os meus desejos, mas no fim acabo me compreendendo.
Estava exausta das tentativas de me decifrar e nunca achar uma saída.  Se é que havia alguma saída e eu ainda não tinha me dado conta disso. Cansada das minhas neuras incoerentes que só me trouxeram conflitos. Cansada até de sonhar acordada, mesmo achando poético ser como sou. Eu cansei, mas nunca desisti. No fundo, não trocaria minha cabecinha perturbada e ruiva por nenhuma sã.
Sei lá se quero alguém para sempre, ou se prefiro que todo esse romance blasé desapareça. Não consigo me decidir nem sobre a roupa que vou vestir quando acordo, então nem tento me limitar a definições.
E se eu pudesse escolher entre só um livro e uma música, eu ficaria sozinha produzindo mais ideias pra minha vasta coleção.

Da série: coisas de humanos

Talvez o ”ser” seja um dos desafios mais complexos da humanidade. E o ”querer ser” o mais esquisito.

Seilá, é bizarro como as pessoas apenas vagam por aí achando que são alguma coisa, as vezes fingindo descaradamente que sabem muito ou que amam demais. Mas na verdade nada acontece, estão todos inertes e estacionados na sua própria mediocridade. Correndo em círculos para chegar a lugar nenhum. E é tudo tão vazio de  uma maneira que chega a dar eco na alma, uma grande consternação.

De que adianta ser uma sombra que não dá sombra pra nada? Ou você se enquadra de uma vez, ou simplesmente anda perdido no mundo. As opções, por melhores que sejam, não induzem à verdade quando o auto-engano prevalece. A realidade é outra.

Seja, não esteja.

O presente em construção

É nítido meu desinteresse causado pelo desconforto da convivência. Sinto como se estivesse respirando o ar errado mesmo sem ter certeza se existe algum ideal. Incoerências… Definitivamente meu escapismo tem funcionado e nada do que eu faça está mais relacionado ao passado. Esse aí foi enterrado e eu nem fiz questão de acender vela. Aliás, se o passado for encarado apenas como uma mera palavra da língua portuguesa, ainda assim, não seria fácil impedir sua relação com o desastre. Agora de uma vez por todas tenho a mente inteira à disposição do presente, embora ele esteja sendo construído lentamente, tenho certeza que estão sendo utilizados os materias certos. Só preciso de 4 horas a mais no dia pra dedicar aos meus pensamentos e uma xícara de café nova, já que eu costumo sonhar acordada.

Meu abrigo

Madrugada sem nenhum sinal de sono, 45 páginas de um livro pra terminar e um filme na cabeça pra ver em seguida. A única coisa que me incomoda até agora é não ter com quem reclamar. Verbo este que ponho em prática o significado a cada minuto da minha existência, como se o fato de quase nunca estar cem por cento satisfeita caracterizasse a maior parte do que sou.

O tom da minha pele parece querer chamar mais atenção quando saio às ruas em busca de rostos menos conhecidos. Termino encontrando os mesmos, nos mesmos lugares, fazendo as mesmas coisas. Previsibilidade sem fim.

O consolo em saber que o acaso não costuma me decepcionar vem da espontaneidade com que a minha vida anda seguindo rumo, dá uma satisfação e uma leveza no espírito ao mesmo tempo. E ainda assim, considero a melhor parte do dia aquela que fecho os olhos e tento projetar todos os planos que faço em uma cena: protagonizada por mim e algum outro personagem escolhido a dedo, em uma sintonia perfeita com direito até a trilha sonora. É nos meus sonhos que eu posso enfim sorrir em paz, sem regras, sem controle. Aproveitar até o último fio da minha imaginação num abrigo só meu, sem me preocupar em fazer sentido nenhum.

É nessa dramaturgia de pensamentos que me encontro e me envaideço, o nó que parece laço transformando a lucidez em fantasia. O desejo que supera o medo.

A força dessa vontade que me mantém viva pra perceber a diferença entre o sonho do que teria sido e o real daquilo que é.

Adivinha quem chegou?

Março, que alegria ver você!

Veio  pra mim como um ventinho nos dias quentes, que sobrevivi à Fevereiro (mês que Deus tirou férias).  E foi com um sorriso muito espontâneo que finalmente virei a folha do meu calendário da porta da geladeira.
Março começou e eu sabia que o queria pra ele: marcar o ano, avisar que estou firme e forte e comentar como de repente os dias ficaram mais leves e mais lindos também. Mesmo que eu,  ainda tente,  sem intenção alguma (e isso é perfeitamente possível) desmoronar as coisas que eu mesma construo. Um clássico.
Olha, meu coração quando dói, é igual levar joelhada-surpresa: do nada eu me pego caída, com lágrimas nos olhos e me perguntando WHATHEHELL. É bem por aí mesmo sabe, dali a pouco ainda lateja mas chega uma hora que dá pra levantar, ou pelo menos sentar no sofá e esperar passar.Mas eu não consigo escrever e descrever. Nem tenho muito o que dizer, na verdade. Quem me conhece sabe do que estou falando.
Eu tô mesmo é esperando passar, sentada na cadeira  mais próxima. E isso não quer dizer que eu tô  parada olhando o movimento.. não! Eu tô me cuidando, tô fazendo coisas, e  fazendo planos, muito devagar.
Agora eu só queria  mesmo  era ficar bem em tempo recorde, mas nem sei mais. Acho que tem muita coisa dessa história de expectativa que  eu nunca mastiguei direito. Nunca entendi por inteiro, nunca relevei. Mas eu to indo tão bem, só preciso cuidar de um medinho bobo que apareceu sem ser convidado, ou não vou em frente em paz.
E ir em frente em paz é o que eu mais quero agora.

Racional

Por que tanta consciência?

Sempre ponderando, medindo e quase nunca se deixando levar. Passos calculados, milimetricamente estáveis. Analisar e tentar explicar como as coisas acontecem e as razões delas acontecerem. Para que? No final, todo mundo sabe como acaba: é sempre igual. Me diz então de onde vem essa vontade de ser uma calculadora que respira e que fala. Você sente?

Lugares tão ocos, tão bobos, tão nossos. É tão simples quanto fechar os olhos e abri-los novamente. Aquelas chuvas de verão que são bem-vindas, um livro emocionante que jamais emprestaria. Foi você quem me deu.

Então por que agir assim? Ardiloso e simétrico, tudo em seu respectivo eixo. Deixa ser mais incerto, o riso solto e o andar descompassado tomar conta. Vez ou outra ser louco, nesse  seu estranho mundo particular. Jogue fora as réguas, traçar planos não necessita força.  Há tanta coisa para descobrir. E o que não for meu e seu não será mais de ninguém.

Make it beautiful

Parece muito clichê falar sobre a vida quando ela começa a dar nós, que nem com as unhas mais afiadas e dedos mais experientes, conseguiríamos desatar com facilidade. Porém, meus caros, trago uma verdade que talvez penetre na ferida de alguns: A vida não é dura, somos nós que amolecemos diante dela.

Enumerei, então, algumas razões pra eu achar que a vida nem é tão hard assim: Primeiro porque quando nascemos não assinamos nenhum tipo de termo de acordo que esteja nos condicionando a abaixar a cabeça diante das situações adversas, segundo, porque o ser humano tem em seu DNA algum tipo de carga genética que o impulsiona a reclamar. Parece ser algo imprescindível ao dia-dia e não importa o quanto a vida esteja sendo honesta, sempre há um motivo pra transformar conforto em insatisfação. Terceiro ponto decorre do segundo, embora regido por uma visão otimista da minha parte: é necessário parar de ficar estacionado em meio aos problemas, por mais infinitos que eles pareçam, e não se redimir quando no momento for preciso agir. Não ter medo de correr riscos na vida, respeitando é claro, os limites de cada um. Há de vir solução pro que é solucionável, mas pouco adianta mostra-ser indiferente ou comportar-se como um inimigo do seu próprio destino, pois é como se cada um dos nossos sucessos fosse uma tortura pros desafetos. Estes desaparecem com o tempo e acreditem, o homem nada mais é do que aquilo que ele constrói de si mesmo.

Não sejamos, portanto, além de cretinos, incrédulos. Acumular opções que nos tornem covardes: não fazer, não sonhar, não tentar, não ter nada pra se arrepender depois… Manter doce o sabor da  vida ou qualquer outro gosto que a torne saborosa a nós mesmos, é essencial para o transcorrer dos dias.  O ‘’Keep calm and carry on’’ continua valendo pra cada novo nascer do sol. Plenitude e paz no meio do aparente caos é o que se espera.

Sobre o riso

 

Eu teria mil motivos pra escrever hoje. Coisas muito boas, pesadelos..  Poderia tanto escrever sobre o que me liberta quanto sobre o que me sufoca, mas resolvi falar sobre o riso.

Só quem já quebrou o silêncio com um sorriso  sabe a sensação de paz interior que se tem, quando se vê refletido nos olhos do outro a boa e velha reciprocidade do conforto. É recompensador poder sorrir e receber um sorriso sincero de volta sem precisar cobrar nada, dispensado o previsível.

Sorrir não é apenas mostrar alguns dentes, nem abrir a boca com o mover dos lábios. Sorrir é transparecer alegria, sorrir a cada despertar é celebrar o novo, é admitir que a vida pode sim, ser levada menos a sério ou ser encarada com mais otimismo. É fazer charme,  provocar através de uma parceria com o olhar, é brindar às vitórias, registrar o que é verdadeiro. Não existe amor sem sorrisos, não existe a  felicidade sem o riso.

Sorte daqueles que têm razões para sorrir e felizes são aqueles que mesmo sem ter porque, nunca deixam de sorrir. Pois a graça da vida está exatamente em fazer graça dela.  O mais essencial, embora seja o mais difícil, é não se deixar perder no meio de coisas que impedem o riso, e fazer dela uma etapa, pronta para ser ultrapassada. Tantos sorrisos já me foram dedicados, verdadeiros no entanto, quem sabe? Sei que gostei, sei que eu gosto do riso, de quem ri com os olhos.E não são muitos, mas pagam todas as desventuras. E só pode entender quem realmente sabe sorrir, quem já provou e diz que tem gosto. Sorri e vê estrelas..

O querer

É tempo de sonhar, é tempo de viver, é tempo de amar, é tempo de ser amada também.

Quero tempo pra tudo e não tenho tempo pra nada. É viver pra sentir e não ter pra onde ir…

É associar o certo ao necessário.

É abstrair o que não convém e sugar o essencial

É meu desejo em cima do muro da angústia, angústia da saudade

Essa saudade que vem, que massacra e que exagera na sua dimensão

É pensar que os meus olhos precisam de um par pra se encontrarem

Que minha mão precisa de algum toque pra confortar meus dedos trêmulos

É querer isso tudo de uma vez e se conformar com as migalhas que o destino oferece, sem piedade

Ser pra ver, ver pra crer, esperar pra ter.

Like a diamond

Vontade de nada e saudade de tudo é basicamente o que me define agora. Sei que devo amenizar um pouco na intolerância, mas o problema é saber que de qualquer forma isso acontece por motivos justos. Estou ouvindo The Strokes  em um nível considerado e a vizinhança ainda não se pronunciou a respeito. Acho bom mesmo.
Ligo o chuveiro e enquanto cantarolo ”Hard to Explain” enumero meus pensamentos numa escala honesta, mas isso nunca foi a solução pra nada. Fica difícil me conter em apenas encostar a cabeça no travesseiro quando se a vontade mesmo era de levantar e  mudar tudo que está em minha volta, como se fosse uma parede velha e rabiscada que pede pra ser renovada em sua cor.
Sentimentos firmes como diamantes me norteiam a seguir uma direção que parece ser a mais óbvia, porém a menos sensata. Apesar de achar que já passei do tempo de entrar em conflitos clichês do tipo razão x emoção, ainda acredito que a melhor maneira de se encontrar no seu próprio labirinto mental é seguir sua vontade e evitar ao máximo regredir à faíscas do passado.

Firme, ser firme. Eternamente, como um diamante.

Mais um pra coleção.

 

Olá bonitos e bonitas!

Não é novidade que a internet hoje é parte do dia-dia de muita gente, e eu como colecionadora de redes sociais não fujo à regra. Então, resolvi criar mais um blog pra compartilhar com vocês minhas opiniões e poder me entreter mais um pouco lendo e fazendo comentários a respeito de assuntos variados. Espero que gostem dos posts e fiquem a vontade pra deixar seus comentários e sugestões.

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